terça-feira, 13 de novembro de 2007

Aqui d'El Rei

Um rei manda calar um Presidente e a coisa ferve – ou melhor, ganha pano para mangas para comentários e opiniões. É o que está a dar na blogoesfera depois de Juan Carlos ter gritado um sonoro “cala-te” ao Presidente da Venezuela que tentava insultar Aznar, ex-primeiro de Espanha...
Vejamos a blogoesfera então:
“Como um Alberto João Jardim, Chavez não respeita os opositores, é um palhaço, quer eternizar-se no poder e tem todos os tiques autoritários que nos devem pôr alerta. Mas, tal como Jardim, não é um ditador. Como George W. Bush, pisa, sempre que pode, as regras do Estado de Direito. Como George W. Bush, não é um ditador. Como quase todos os presidentes latino-americanos, Chavez é um populista”. Daniel Oliveira, no blog Arrastão, resume assim o essencial do que a esquerda pensa sobre o tema.
Rodrigo Adão da Fonseca, no blog da revista Atlântico, responde-lhe;
Já não há paciência para os “mas” do Daniel Oliveira. Censure ou apoie Chavez, agora, já não há tacho para esta sistemática mistura de tudo com todos, como se a realidade e a análise política fossem uma espécie de salada de frutas. É que não se percebe porque, para falar em Chavez, é preciso viajar até à Madeira, ou trazer à colação Bush”.
Inez Dentinho, no blog Geração de 60, muda o sentido dos factos e avança:
“A simples indignação do Rei de Espanha perante a ofensa de Hugo Chavez (...) arrumou, em dois segundos, a bravata do ditador (...).Está aqui tudo: a revolta genuína, a representação institucional do País, o decalque dos sentimentos do Povo; a liderança espanhola no espaço Latino-americano; a liberdade de expressão do filho do Conde de Barcelona (...). Numa palavra: a superioridade das monarquias constitucionais nas democracias ocidentais”.
Sofia Loureiro dos Santos, no blog Defender o quadrado, tem argumentos diferentes para defender Juan Carlos:
“Sou republicana e a ideia de monarquia é, para mim, um anacronismo. Mas dizer que Juan Carlos deveria ter estado calado porque não tem a legitimidade do voto espanhol é totalmente descabido. Tem a legitimidade que lhe vem de uma constituição sufragada democraticamente, já para não falar do facto de ter sido um elemento importantíssimo na construção da democracia espanhola”.
JSM, no blog Fora de Estrutura, enfrenta o tema por um lado histórico e escreve:
“Existem mil razões para a razão do monarca, muito para além daquelas que suscitaram a aplaudida intervenção. Em primeiro lugar porque a Venezuela só existe através da Espanha, tal como o petróleo e o desenvolvimento, a escravatura ou a liberdade. E Chavez é ele próprio um produto de todas aquelas contradições”.
Carlos Furtado, no blog Nortadas, elogia o rei de Espanha: “Sempre mostrou coragem e tem sido uma peça fundamental na união das Espanhas. Hoje mostrou que está em grande forma”. Fecho com José Teófilo Duarte que me pareceu sensato no Blog Operatório quando afirma que “Chavez tem um discurso de rua que agrada ao chamado homem da rua. A atitude do rei de Espanha situa-se no mesmo registo. O sucesso inesperado da sua reacção deve-se ao insólito: não se imagina um rei a descer à rua. Os tempos estão a mudar”.
Estão mesmo, e este painel de opiniões que juntei sobre o mesmo assunto mostra bem que, em tempos que mudam, há opiniões para todos os gostos. Assim se deixem as Janelas bem abertas ao debate...

1 comentário:

David Garcia disse...

Meu caro parabéns antes de mais pelo seu blogue que está muito bom.

Por outro lado, muito em falar da fantástica atitude do Rei de Espanha em mandar calar o Presidente Chavez.

Finalmente, convido-o a vir participar ou a dar uma olhadela ao FDR - Fórum Democracia Real e ao meu blogue da Democracia Real - dois espaços da minha autoria, em prol da Monarquia Democrática para Portugal.

Bem haja